“…O que eu sei é que os homens precisam perder o medo de errar, ainda mais quem não tem nada a perder. Só existe uma maneira de aprender a nadar: pulando na água…”

A CERCA

Publicado: junho 12, 2020 em Uncategorized

CAP. 03
(Memórias de um mafioso)
Autor:Zé de Riba.
Editor:Nelson Donizete de Oliveira.

Naquela manhã, Dayse Suzette, ao acordar e tomar um bom café, pôs-se a elogiar minha casa, a hospitalidade e meus admiráveis cavalos. Ela escolheu, no olhar, quatro éguas e oito cavalos raçudos. Dayse conhecia cavalos, sabia o valor de suas qualidades. Passamos um bom tempo debatendo preços, e amarramos um negócio satisfatório para nós. Os cavalos iriam para o Uruguai em carretas, ela tinha bons compradores lá. O transporte e todo o resto seria custeado por Dayse.

E, acredite, ela foi até ao carro voltando com uma maleta e pagou tudo no dinheiro, eu e o Bily ficamos montados na grana. Ao se despedir, ela disse que voltarias mais vezes, ela e o Bily se amarravam nos olhares, sabe como é, o amor no primeiro olhar é fulminante.

A Dayse usava um trinta e oito numa coxa, preso numa cartucheira antiga por debaixo da saia, e uma faca na outra, igual aquelas de cinema. O Bily arriscou: “é uma mulher interessante, perigosa e bela”. Ela atirava bem, conhecia armas, usava a faca com maestria, tinha habilidades corporais. Se visse alguém com uma arma a dois metros de distância, ela o desarmava facilmente. Jogava faca numa rapidez da patada de um tigre, já era terceira vez que fazíamos negócio. O Bily e a Dayse não teve jeito: amarraram os corações numa batida só, compreende? Estavam dominados por um amor tão intenso que a pele de ambos transpirava em sucessivas cavalgadas. Daí, tudo começou, nós três fizemos uma amizade baseada num sentimento divino. Logo nos tornamos parceiros nos negócios, irmãos, bons de briga e bons de assaltos nas mansões de banqueiros e autoridades políticas. Eles roubavam e nós roubávamos deles, sabe como é o jogo.
Com o tempo, fomos convidados para o clube dos doze. Agradecemos a Dayse. Por quê? Vou contar: já não havia mais segredos entre nós: o Bily e a Dayse se mudaram lá pra casa, nós fomos indicados pelo senhor presidente do Conselho Nacional do comércio, o senhor Durvalino Seixas Cambraia, o famoso Durva, a entrar para o clube dos doze. A Dayse era sobrinha dele, filha do irmão mais novo morto por traficantes. O Durva cuidou dela, prometeu no funeral do irmão que iria criá-la e protegê-la por toda a vida, como sua filha. Na máfia, as palavras valem mais que uma carretas com toneladas de cocaína e armas, compreende? Foi isso que nos fez ingressar no maior clube oficial dos fodões da máfia comercial e industrial. Eu e o Bily fomos apresentados como os caras de “saco roxo”.

A casa ficou divertida com a Dayse e o Bily, eles formavam um bonito casal, se amavam loucamente. Meus pesadelos diminuíram, dizem que os pesadelos geralmente acontecem quando o corpo não está bem ou algo lhe atormenta vindo da infância, meus pesadelos cavalgavam na minha alma, em mim, era a maldita CERCA que eu não conseguia puxar as rédeas. A gente conversava até alta madrugada, eu soltava meus bichos, a Dayse soltava os delas. Ela carregava a falta de resposta para o assassinato do pai que até mesmo seu tio Durva gaguejava e não sabia responder. Diante de tudo, fazíamos planos e começamos transportar cavalos e cocaína para o Uruguai e Argentina em fortes sacos plásticos em meio o cocô dos cavalos embaixo do assoalhos das carretas, uma obra de arte. Passamos a ser reconhecidos e respeitados no meio dos grandes e sigilosos parceiros comerciais. Além do mais, éramos jovens, bonitos e ricos. Os negócios voavam pelos ares, igual aquele inesquecível cheiro de cocô de cavalos.
E, finalmente, fomos batizados num jantar pelos grandes homens do clube dos doze. Eu e o Bily mandamos trazer de Roma, na Itália, uns ternos do empório Armani, eram ternos caríssimos, em lá virgem 100%, com forno cumpro também 100%, compramos uns sapatos de couro de bezerro, preto, de bico arredondados, fechamento por cadarços e saltos baixo.

Um conforto, lindos. Fomos a Paris, numa semana, compramos belas roupas, relógios, anéis, umas gravatas Salvatore Ferragano, compreende?…coisa da alta costura. A Dayse quase trouxe todas as lojas da Champs Elysees, ela estava renovando o guarda roupa. Nós tínhamos que estar apresentáveis se desejássemos ser respeitados na Corte Cheirosa. Naquele dia, levamos para nosso batizado duas maletas de dólares para doar ao fundo de aposentadoria daquela instituição e 20 quilos de cocaína de primeiríssima qualidade, afinal, haviam ilustres convidados, como políticos, juízes, advogados, padres, pastores, generais e, claro, as belas mulheres. Tínhamos que ser elegantes. Deslumbrantes.

José Ribamar de Araújo, mais conhecido como  Zé de Riba,é um cantor, compositor, instrumentista ator brasileiro, diretor e otras cositas más

A CAIXA DE RETRATOS

Publicado: junho 8, 2020 em Uncategorized

(Pequeno conto)
Autor:ZÉ DE RIBA

Há anos ela estava guardada numa cômoda, na última gaveta. A história dos meus pais, a minha história, um pouco da história do meu país, ali estavam fotografadas. Algumas amareladas pelo tempo. Nunca me sobrava tempo, nunca. O tempo não galopa, corre em disparada.

E um homem precisa visitar seu passado para compôr o presente e ter um futuro vitorioso, cheio de harmonia e vida. Ao abrir minha caixa de retratos, pacientemente fui fazendo aquela viagem sem sair de casa; meus pais, namorados, noivos, depois casados. Eu pequeno, dando meus primeiros passos.
Tive quarenta dias para organizar as fotografias em molduras e colocá-las na sala, enchendo a casa, tornando os dias menos ameaçadores. Enchi a casa de boas lembranças e felicidade. Eu precisava de companhia, de conversar, me acalmar. Não me importava mais sair às ruas. Eu estava seguro. O tempo se enchia de organização. A sala ficou cheia de convidados fotogênicos. Meu tio jogando bola quando rapazola, meus primos e primas no meu primeiro aniversário, eu vestido na camiseta das Diretas Já!, depois a faculdade. Estávamos todos ali, reunidos na sala, dentro de casa. Aquela caixa de retratos me trouxe a lembrança e a certeza de que tudo passará. De que iremos vencer mais uma vez. Como é bom ficar em casa. Fique em casa.

José Ribamar de Araújo, mais conhecido como  Zé de Riba,é um cantor, compositor, instrumentista ator brasileiro, diretor e otras cositas más

A CERCA

Publicado: junho 1, 2020 em Uncategorized

CAP. 02.

(MEMÓRIAS de UM MAFIOSO)
Autor: ZE DE RIBA.

O homem que não tem história para contar é um homem vazio, escavado, um tronco de árvore oca que não suporta uma pequena tempestade.
O Bily era um jequitibá.
Eu e Bily, a gente sempre foi dos corres. Risco nos negócios nós tínhamos. Perdíamos muito, mas ganhávamos muito também. A época de maiores êxitos em nossas vidas foi aos 24 anos: a gente era livre como dois pardais, amávamos as mais belas mulheres. E numa tarde de setembro, daquelas que não desejam findar, nossas vidas começaram a mudar. Me lembra uma película cinematográfica: gente estava no bar do Dino fazendo porra nenhuma, compreende? Nem nossos sacos coçavam.

A rua estava apaziguada, até o vento parecia descansar numa rede da varanda. Foi quando parou aquele Chevrolet 1960, seis cilindros, equipado com kit turbo, tudo rodando perfeitamente, muito deslumbrante. Mais deslumbrante ainda foi quando ela desceu do Chevrolet: uma mulher de uma beleza árabe, capaz de fazer qualquer homem perder o tino. Ela desceu fuzilando os olhos verdes do Bily com aqueles olhos de jabuticaba, dirigiu -se ao balcão do bar e pediu um conhaque. Virou-se de uma vez, permanecemos embasbacados. Nossos queixos foram parar nas botas quando ela aproximou-se da nossa mesa e disse: “– Boa tarde senhores! Meu nome é Dayse Suzette, prazer. Compro cavalos, alguém aqui tem cavalos para vender?”
Ela foi direta. Não colocou vírgula muito menos reticências no o que desejava. Naquele tempo se respeitava uma mulher. Hoje, está cheio de covardes mal educados.

A convidamos a sentar. O Bily tinha mais jeito, digamos, mais jeito com os pronomes pessoais e de tratamento… com os adjetivos. Conhecia muito bem os substantivos para fazer valer uma conversa de negócios, sempre elegante e educadíssimo com uma senhorita. E eu tinha como propriedade apenas minhas dez palavras que a tia Flores me deixou como herança. Pois bem, tivemos uma boa e divertida conversa enriquecida de conhaques e whisky.

No final, ofereci a senhorita Dayse Suzete um quarto de hóspede na minha casa e, quando o dia amanhecesse, lhe apresentaria meus lindos e educados cavalos. O Bily não gostou, porque eu o dispensei. Ele não precisaria pousar em casa naquela noite, eu já tinha companhia. Mas não aconteceu nada entre nós, ao sol nascer, o Bily já estava na porta bem vestido e perfumado: veio para o café.

Eu e o Bily vendemos muitos cavalos velhos, mas nunca vendemos cavalo velho pros caras de circo, eles davam os cavalos para os leões devorarem. Não era justo àqueles animais um final triste depois de uma vida servindo a nós. O Bily não permitia, era uma maldade. Eu e o Bily sabíamos que iríamos para o inferno, mas tínhamos esperança de ter nossa barra limpa pelo o Altíssimo. O diabo às vezes, se decepcionava muito com a gente, compreende? Nós vendíamos muita cocaína para a burguesia. Ah, vendíamos, coisa de primeiríssima qualidade. Da burguesia, só três coisas prestam: as jóias, o vinho e as mulheres. Nós roubávamos aqueles cofres cheios de coisas difíceis de serem substituídas. O Bily ainda deixava um bilhetinho “desculpa, só pegamos nossa parte”. O Bily fodia uma burguesa nazista e intolerante, mulher do banqueiro Dantas Jesuíno. Ela gostava de cocaína e do pau do Bily. Ladroamos muito daquele corno, que dizia ser honesto e trabalhador . Só de Rembrandt e Chagall roubamos uns quatro.

Ele era um fascista, um misógino, lavador de dinheiro desses que circulam por aí na nossa sociedade construída de fardados e corruptos. Agora, as mulheres eram belíssimas, como nós fudíamos naquela época.
As mulheres eram glamourosas até nos velórios. Nós homens também, não íamos num velório sem o melhor terno, os mais caros relógios, anéis e sapatos, e claro: os óculos franceses e italianos. O poder também brilha à luz de velas e caixões. Confesso: éramos uns canalhas, mas com classe e respeito. E, aos poucos, eu e o Bily, íamos adquirindo um passaporte para o inferno. Tínhamos que ser elegantes, cá entre nós, dizem que os homens mais bem vestidos da terra são os gângsters. E éramos figuras estilosas. Geralmente, a gente usava ternos de três peças com acessórios não exagerados que faziam o lúcifer morrer de inveja, principalmente pelo nosso perfume e nossas mulheres.

O Tony, amansador de cavalos e matador, foi quem nos habilitou a atirar com uma arma e também bater carteira quando tínhamos 13 anos. O Tony dizia que o inferno nunca está fora de nós, está sempre dentro dos homens nas mentes e nos sonhos. Ele dizia que não existe estrada e nem posto de gasolina pra gente abastecer os carros roubados: o inferno era nosso cobrador. O Tony também era um urubu, vivia da morte. Ele era um matador muitíssimo educado e ia ao culto todos os domingos. Dizia ele que, quando matava um “encardido” mandava flores antes da bala. O Tony não admitia palavrões, não os suportava. Certa vez, no bar do Dino, ele cortou a língua d’um sulista, o sulista, numa conversa, mandou ele “ir tomar no arrochadim”. Arrochadim é o popular monossílabo adorado por alguns mais conhecido como cu. Todo mundo fala cu, até em reuniões de ministros e autoridades em geral. Até hoje não entendi o porque do Tony amansador de cavalo, carregar tanto ódio, uma repulsa violenta pelo palavrão. Ele foi morto, por uma pistoleira chilena transexual com seis tiros no saco. Ela fez um serviço completo, depois de matá-lo, ela cortou o pau dele, salgou e pendurou numa cruz lá na curva dos Bastos. Essa história foi parar nos jornais . Acredite. Eu sei é que a curva dos Bastos, passou a ser chamada de CURVA DO PAU MORTO.

José Ribamar de Araújo, mais conhecido como  Zé de Riba,é um cantor, compositor, instrumentista ator brasileiro, diretor e otras cositas más

A CERCA

Publicado: maio 30, 2020 em Uncategorized

– Baseado em fatos reais.
Dedicado à Jean Raymond. Escrito em 1989.
Autor:Zé de Riba
CAPÍTULO 01.

Eu tenho dentro de mim, ruas estreitas e curtas. Algumas sem saída, um embaraço impossível de resolver. Meus medos, angústias e ressentimentos me levaram a acontecimentos funestos.

Meu coração era triste e silencioso.
Eu sempre, andei distante de mim mesmo. Há tempos vivo cheio de abismos minúsculos, imersos em rancor.
Está é minha história, é minha salvação em lhe contar.
Hoje é meu aniversário. 80 anos.
Estão cheios de júbilo os convidados. Até aquele porco do irmão do Bily, que reprimenda os filhos com os nós dos dedos em suas cabeças, parece feliz, apaziguado.
O Bily e eu sempre fomos bons amigos, tínhamos uma relação de auxílio mútuo, desde a época da escola infantil Madre Teresa Cristina. Eu era o único que o Bily emprestava seu precioso apontador de lápis que seu avô trouxera da Bélgica.
O Bily dizia que quando crescesse queria ser muito feliz, eu nunca tinha visto alguém expor aquilo através de palavras quando se é pequeno. O Bily dizia, eu não dizia, porque eu era um nada, eu me achava uma bolacha quebrada. Meu pai fazia de mim um nada, um insignificante. Eu era um poço seco, de rachaduras na alma. É, eu era um poço, vazio, cheio de ódio e rancor. Isso porque ele se divertia em me surrar, em me castigar, em me torturar. Até na frente dos amigos dele, ele me batia. Batia do início do alto das nádegas até a base do pescoço, aqui, perto dos ombros, deixando marcas expostas pela grossa cinta. Chegava ficar um desenho de uma CERCA de arame farpado nas minhas costas, as quais recebia os cuidados da minha tia Flores. Eu sustentava, vergonhosamente, na escola, aquelas marcas nas minhas costas, na minha alma. E não consigo esquecer, atravessar, derrubar, me libertar dessa CERCA que rói dentro de mim. Por isso eu não desejava, quando crescesse, ser feliz igual o Bily. Eu só desejava, quando crescesse, matar meu pai.
E agora, ao fazer 80 anos, quem está morto sou eu. Não meu pai.

O Irmão do Bily mandava nele, por ter criado ele desde pequeno, se achava proprietário do Bily. E ele não gostava de mim. Por que? Não sei. Era ele quem decidia os negócios: como fazer e não fazer. Tudo era feito somente com o consentimento daquele cabeça de rola do seu irmão. Várias vezes impediu o Bily de fazer negócios comigo. ”O Raymond não sabe de nada. É um inútil”, dizia ele.

Eu comprava cavalos e os revendia na feira da concórdia. Desde cedo aprendi a gostar e a negociar cavalos. O Bily também gostava de cavalos, me acompanhava sempre na labuta, principalmente nas tarefas mais árduas. Mas o irmão do Bily era um coice, um coice no saco.

O que eu sei é que os homens precisam perder o medo de errar, ainda mais quem não tem nada a perder. Só existe uma maneira de aprender a nadar: pulando na água. Meu coração sempre foi dono das minhas razões, muita coisa aprendi no braço e sempre gostei de arriscar, é assim que se acerta, principalmente nos negócios. Eu cometia muitos erros gramaticais e verbais em minhas negociações quando iniciei, mas minha tia Flores, que arrancou-me das garras do meu pai e me criou desde os dez anos, ensinou-me muitas palavras bonitas e eu gostava muito da palavra “deslumbrante”. Gostava tanto que colocava deslumbrante até onde não cabia. Depois me apaixonei pela palavra imprescindível, foi amor à primeira lida, imprescindível passou a ser minha preferida. Andei até tendo uma queda pela INEXORÁVEL, eu achava INEXORÁVEL uma palavra muito elegante, uma dama. Com ela eu me comportava bem em diferentes contextos, compreende? Mas eu gostava mesmo era da imprescindível. Houve uma época que a turma da rua de baixo só me tratava de “monsieur imprescindível “. Aí eu parei de pronunciar. Sabe por quê? Aquele arrogante filho da puta do Samuel Bento, metido a sábio, veio tirar sarro na minha cara na frente da Dulce, minha namorada. Daí eu saí no murro com ele, quebrei o nariz dele, isso por causa da Dulce e da imprescindível. O Bily andou até me aconselhando arranjar uma outra palavra à altura, mas eu gostava mesmo era da imprescindível. Eu sabia até da sua classificação morfossintática. Imprescindível para mim, era indispensável numa conversa de negócios.

Eu morava sozinho numa bela quinta que minha tia Flores deixou para mim antes de partir. O Bily estava sempre lá e era onde eu criava meus cavalos e éguas, todos da raça crioulo, eram deslumbrantes. O crioulo é uma raça de cavalo brasileira, originária de sangue andaluz e foi introduzida no continente americano por um aventureiro espanhol chamado de Alvar Nunes Cabeza de Vaca. O cavalo crioulo é um bom cavalo, tem um caráter tranquilo, esperto, mas às vezes arisco.

Minha mãe, sempre que podia, vinha me ver. Ela não comentava nada sobre meu pai, porque sabia que eu não gostava, mas dizia “…tenho rezado muito por você e ele…que um dia essa CERCA seja que quebrada…”
A noite eu tinha pesadelos, sendo pisado por cavalos. O Bily me aconselhava a não demorar muito a quebrar a CERCA, mas eu não queria ouvir nada sobre o assunto. Lembro que nos festejos de nossa senhora das dores, eu o vi de longe conversando com os amigos dele. Baixei a cabeça e fui pra casa cuidar dos cavalos. Eu nunca bati nos cavalos, porém, comecei a gritar e bater nos cavalos, o Bily chegou correndo e me impediu daquela monstruosidade, eu me ajoelhei no chão do curral e chorei muito, o Bily ficou numa tristeza mórbida ao me ver naquele estado. Eu estava com um bicho dentro de mim, me devorando, quando um homem não encara seus bichos eles lhe devoram. O Bily me dizia isso, ele gostava de ler e me contava histórias deslumbrantes.

O Bily era tudo que eu tinha. Certa vez, nós vivemos algo terrível. O Johnson, filho do açougueiro Eleutério, nunca gostou do Bily, porque o Bily andou saindo com a namorada dele. Tivemos várias briga com esse tal de Johnson. A gente tinha 17 anos.
Esse Johnson fez uma coisa monstuosa. Ele foi até ao túmulo da mãe do Bily, com uns amigos, desceu as calças e defecou em cima do túmulo. Coisa de herege, falou até no bar do Dino, todo mundo riu. O Bily e eu ficamos irados. Numa tardinha, cercamos o tal de Johnson na estrada do Porfírio, amarramos ele numa árvore. tiramos a calça dele e dei seis tiros na bunda branca dele. Depois acharam ele ainda vivo, o levaram para o dentista Antonio Pilar, não tinha médico na cidade. O dentista Pilar tirou bala até do fiofó do desgraçado. Ele sobreviveu e foi embora da cidade como o homem da bunda furada. Eu e o Bily pegamos dois anos de.cadeia. Não se caga no túmulo de uma mãe.

José Ribamar de Araújo, mais conhecido como Zé de Riba  é um cantor, compositor, instrumentista, ator e outras cositas más

A vida

Publicado: outubro 13, 2019 em Uncategorized

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Sou treva, abismo, dor incessante, deserto de sal, caminho sem volta, instante morte infinito, sede eterna, fome insaciável. E mesmo assim sou vida

velho na gíria

Publicado: dezembro 12, 2018 em Uncategorized

  • bom, pra mim foi meio difícil sim. No começo achava meio sem jeito.
  • não, não. Comecei com o CURTIR. E já era muito em
  • ah, demorei umas 3 semanas pra me acostumar
  • a primeira vez eu testei com meus filhos. Morri de vergonha. Era um almoço e eu fiz um prato de coxa de frango no forno. Ai, do nada falei – vocês curtiram?
  • como não senti nenhuma reação negativa, me animei
  • não me atrevi. não me sentia a vontade pra usar fora de casa não
  • ah, demorei quase 2 semanas pra usar fora de casa.
  • me lembro sim. foi em uma reunião sobre campanha política
  • me lembro que era uma reunião de conteúdo, a forma tínhamos definido a uma semana atrás
  • foi sobre um tema específico. me lembro que todos na sala eram mais novos que eu, e o assunto era redes sociais. Eu criei coragem e falei. EU CURTI ESSE TEMA e fiquei esperando a reação
  • não sei se me lembro disso (a memória já praga peças nessa idade)
  • acho que uma pessoa olhou meio espantada, mas não me lembro mesmo. até porque nem consegui levantar os olhos de tanta vergonha
  • bom, a segunda foi uma bem mais radical. a tal DE  BOA
  • essa foi muito difícil, muito mesmo
  • ah, porque essa é bem mais contemporânea né
  • sim, me senti muito estranho quando usei a primeira vez
  • essa foi na rua. com um vendedor de balas no farol
  • rsrsrsrs.  achei que seria mais fácil, pois estava sozinho no carro
  • kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. tenho vergonha até de contar
  • bom, eu estava no farol, 2 carros atrás do primeiro no farol. vi o rapaz da bala chegando, respirei fundo, me preparei mentalmente e, quando ele chegou no vido do carro e perguntou se queria a bala, respondi na hora – TO DE BOA
  • cara, não sabia onde enfiar a cara, mas como estava sozinho, fechei o vidro e mirei no farol
  • ah, depois de um tempo tudo vira natural né
  • veio a BREJA, o CHURRAS, NIVER,
  • tenho. tenho muito medo de me viciar
  • já fiz uma promessa que no PARÇA eu não entro
  • não é preconceito, é mais um medo mesmo, porque isso pode virar um poço sem fundo né. já pensou eu na reunião de família falando. PARÇA FICA DE BOA, JÁ JÁ CHEGA A BREJA GELADA E FICA PRONTO O CHURRAS. pra mim seria o fim

 

Pobre pátria

Publicado: novembro 1, 2018 em Uncategorized

Escapa-me do peito a tristeza segurada
Ao ver a tua memória dilacerada
Repete-se agora aquele pretérito episódio:
A fama de um mito conquistada no ódio

Oh pátria desalmada
Não é mais tu que agora és idolatrada

Foge do peito o meu coração partido
Frente ao reflexo do pânico desmedido
Então lembro-me daquela velha canção
Que acredita nas flores vencendo o canhão

Oh, pátria envenenada
Não é mais tu que agora és adorada

Hoje não mais espelhas grandeza
Pois teu futuro só te reserva tristeza
Pois esqueceste da tua trajetória
E agora te aguarda somente a escória

Oh pátria fraquejada

MÃE DA MÃE

Publicado: maio 29, 2018 em Uncategorized

MAE

O que é ser mãe da mãe?

É como cuidar de um filho pequeno que depende 100% de você.

É reaprender, dar banho , trocar fraldas, dar comida na boca, por e tirar da cama.

É rir das trapalhadas que às vezes acontece.

É  engolir o choro quando ela pergunta porque os filhos e netos demoram para visita-la.

É como quando um filho pede algo que não podemos dar ou fazer.

Mas ser mãe da mãe também é ganhar sabedoria, é desenvolver cada vez mais a paciência.

É ver no olhar, muitas vezes um desculpe por estar incomodando.

BELI

É ouvir dezenas de “Deus te pague” por dia. É interromper os afazeres para erguer ou abaixar a poltrona ou coçar as costas. Mas ser mãe da mãe também,  é ver e sentir todos os dias, o AMOR e a GRATIDÃO na sua plenitude. É ver na mesma pessoa,  a fragilidade de uma criança e a força de uma guerreira, que luta todos os dias para viver. ELA foi a melhor mãe que pôde ser e eu estou aprendendo a ser a melhor filha mãe que  posso ser.

 

 

Rita Maria de Oliveira

RITA


doria

“Eu não sou político, sou um empresário, um gestor”

craco

Nesse período, a crise social provocou efeitos graves na cidade de São Paulo. O desmonte de políticas públicas nas áreas sociais, sobretudo aquelas voltadas à população mais pobre, o desastre nas ações adotadas na região da cracolândia, o autoritarismo, a arrogância e a falta de disposição em dialogar, entre outras frentes de responsabilidade da prefeitura, como saúde, educação, transporte, marcaram o primeiro ano de administração da FARSA de bom gestor:

acidentes-nas-marginais.jpg

– Aumentou a velocidade nas marginais e fez o número de mortos atingir patamares alarmantes

gari

– Logo quando tomou posse como prefeito, visando o populismo, Doria se fantasiou de gari e anunciou o programa Cidade Linda. Hoje a zeladoria da Cidade figura no topo das promessas não cumpridas. São parque, praças, ruas esburacadas e sem iluminação. Tudo abandonado;

alkimin

– Criticado até pelos seus colegas de partido, deixou escapar de forma explícita a traição a GERALDO ALCKIMIN, quando acenou para a possibilidade de se lançar candidato à presidência da república, chegando ao ponto de insinuar neste período, que tinha mais força política que o seu padrinho;

grafite

– Declarou guerra contra a arte de rua e apagou os grafites urbanos. Logo após, disse que havia avaliado mal;

cra

– Numa das ações mais desastrosas já vista no cenário político, o FALSO GESTOR, declarou seu total desrespeito à dignidade humana e promoveu uma verdadeira barbárie no centro de São Paulo. Hoje, os usuários de crack se espalharam por toda a cidade, e o gestor se “gaba” por ter solucionado o problema;

mendingo

– Atacou moradores de ruas com jatos d’agua e ao ser questionado, justificou ser “um descuido”;

farinata

– Contrariou o Conselho Regional de Nutrição e lançou a tal Farinata mais conhecida como “Ração Humana”;

paiaço

– Durante campanha eleitoral, João Doria assumiu o compromisso de congelar as tarifas de ônibus durante os quatro anos do seu mandato. Mais uma promessa não cumprida; em janeiro/2018, reajustou a tarifa de ônibus de r$3,80 para r$4,00.

– Fez inúmeras viagens de pré-campanha presidencial e alegou que administrava a cidade através do celular;

– Cortou verba destinada a saúde, paralisando obras importantíssimas nos hospitais (Brasilândia e Parelheiros), deixando na mão milhares de famílias da periferia da cidade;

– Agindo como um caixeiro viajante, colocou a Cidade a venda, ao invés de administra la

Agindo como um animador de plateia, age a frente da cidade, como um apresentador de reality show, sem se importar com a vida real do povo sofrido da nossa cidade.